‘Eu Sou Londres’... coincidência, né?
Alô!
Aqui vai a primeira leva; a poesia vai logo aí embaixo e se chama ‘Eu Sou Londres’... coincidência, né?
As fotos são da FLIP, Feira Internacional de Literatura de Paraty. No caso, fui o primeiro músico convidado da feira para participar de um debate literário; cantando e apresentando poemas.
O debate chamou-se "Uivos". Afinal, na mesa éramos eu e o grande poeta Chacal, falando sobre a Nuvem Cigana, anos 70, beat generation, censura, etc.
Eu comentei sobre a mídia e tive que responder perguntas sobre o projeto acústico MTV. Se eu entrei em contradição (e é claro que NÃO!), para ilustrar esses assuntos comecei cantando ‘A Balada do Inimigo’; do álbum Canções Dentro da Noite Escura, de 2005 (quem quiser ouvir é só entrar no www.myspace.com/lobaouniversoparalelo) e cantei também o ‘Samba da Caixa Preta’, em "homenagem" ao "fim" do Rio de Janeiro através de uma parábola do ‘Samba do Avião’, e
terminei com ‘A Vida é Doce’.
Coincidência!
Eu falei uma poesia que escrevi pensando nas religiões e suas covardias metafísicas, na palavra de um imaginário yogue em vias de iluminar-se.
A poesia vai logo aí embaixo e se chama ‘Eu Sou Londres’... coincidência, né?!
| EU SOU LONDRES (Lobao / Salvador agosto de 1998) no fundo da caverna desligo a teia que conecta o mundo comendo passivo insetos histéricos no meu bocejo de poucos desejos Rebanhos incorretos? Meus tantos desejos? Os insetos histéricos? vou atravessar paredes caminhar entre muros evitar entrepernas viajar na caverna do fim da vida rumo ao vazio de tudo mentindo ser para não ser através de um profundo mal estar um dever que se cumpre que promete o nada a devir na expansão da contrição de um transe de mentiras herdadas da mesma covardia não se entrega um corpo assim à Vida é relutância da pior sujeira e sentir essa relutância enfraquecida |
se encaminhando para o seu fim é, para mim, alguma forma de alegria na caverna do fundo do mundo tentamos esconder nossos fedores Delícia intacta de uma felicidade virgem Exalando regras para a dor e o delírio A dor e o delírio Expandem-se Na caverna E o medo nos forja cada vez Mais sábios E isso é ultrajante!! Iogue, babo mantras e insetos… Engulo gafanhotos bíblicos Como santidade katalogada A regurgitar psicodelia Para turistas místicos, atônitos e…corretos… … eis aqui a loucura da vida: a caverna no fundo do mundo é tudo e eu já não sou nada só luz eu já não sou nem quase eu sou a caverna eu sou o fundo eu sou o mundo eu sou londres |
E no mais, vamos com os gofos mais superfaturados da história no Rio: o Lula levou a maior vaia (o que nos deixou mais aliviados), o Rio de Janeiro, apesar de tudo, continua lindo, e eu mesmo sem nunca ter ido a Londres, estou morrendo de saudades!
Muita força pra galera, abração
Lobão
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